Um pouco mais sobre o casamento infantil na Nigéria

Olá, senhores delegados! Neste post iremos falar sobre a Nigéria. Este é o país africano com o maior índice de casamento infantil, estando em 3° lugar no ranking mundial. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 2017, 43% das mulheres nigerianas se casaram com menos de 18 anos, e 17% das meninas são casadas antes de completarem 15 anos. Além disso, segundo o Representante Nacional da Unicef, Mohamed Fall, “a Nigéria tem o maior número de noivas-bebês no mundo”, dentro dos dados de 2013.

As principais causas do casamento infanto-juvenil na Nigéria, assim como, em diversos outros países africanos, são a pobreza, a desigualdade de gênero, a falta de escolaridade, as fortes tradições sociais e religiosas e a insegurança. A pobreza é uma das razões mais comuns entre os países do mundo. Na Nigéria, que é considerado um país pobre, as áreas rurais são as mais afetadas por este problema. Como uma tentativa de sobrevivência e/ou por questões de costumes, as famílias usam as meninas como objeto de troca para que possam se sustentar. Junto com o casamento, nessas áreas, existe o dote (dinheiro ou bens) e, principalmente por causa dele, os pais sujeitam suas filhas, ainda criança, ao casamento forçado.

Andando de mãos dadas com a pobreza, está a desigualdade de gênero. Crianças do sexo masculino são consideradas como um símbolo de sorte para as famílias e, por isso, não são abandonadas ou trocadas no casamento. As meninas são vistas como menos valiosas, de tal forma, que os pais preferem investir em seus filhos homens – principalmente no que se refere à educação – do que em suas filhas. Além disso, decorrendo de suas tradições, é construído o fato de que a menina pertence à cozinha e que seu propósito de vida é cuidar da casa, da família e servir ao seu marido.

Outra questão trivial é a do analfabetismo. O sistema educacional nas partes norte e sul é extremamente pobre, o que deixa os pais sem muitas escolhas. Eles não confiam no sistema para sua sobrevivência e, dentre outros motivos, trocam suas filhas pelo casamento em troca de dinheiro ou bens. Como dito anteriormente, os filhos homens possuem prioridade na questão educacional, sendo assim, dentro de um precário sistema de educação, as meninas são direcionadas a permanecerem em casa e a cuidarem de suas famílias. Ademais, a falta de educação adequada impede com que pais e até mesmos as crianças tenham informações sobre as rigorosas consequências de um casamento precoce.

Por fim, a insegurança também é uma das causas deste problema. O número de assédios e estupros contra o sexo feminino ainda é muito grande na Nigéria, e isso torna a preocupação com suas filhas ainda muito maior. Entretanto, muitas famílias possuem a ideia errónea de que sujeitando suas garotas a um casamento com algum homem muito mais velho do que ela, estarão dando a elas um futuro com segurança e proteção. O que a maioria deles não sabe é que, por meio de um casamento infantil, as meninas estão sujeitas a situações que também são intensamente perigosas.

A luta pela diminuição do casamento infantil na Nigéria exige bastante força e um exemplo disso é a história de Khadija, uma menina que era uma noiva infantil. Ela nasceu na Nigéria e foi forçada a se casar aos 12 anos com um homem de 19 anos. Tendo sua vida cortada ao meio e vivendo alguns anos com pouca comida e espancamentos físicos, ela conseguiu encontrar forças o suficiente para voltar aos seus pais.

Khadija aos 15 anos conseguiu se divorciar. No entanto, devido à falta de habilidades significativas, ela ainda corria o risco de se casar novamente, mais uma vez quando criança. Felizmente, uma organização chamada Centro de Excelência Comunitária financiada pela Save the Children criou espaços seguros para meninas na comunidade de Khadija e oferece alfabetização e habilidades vocacionais para meninas em situação de risco e para sobreviventes do casamento infantil. Dessa forma, é visto que ainda não é fácil combater este problema, porém o país vem se pronunciando acerca disto e criando ações para que os índices sejam diminuídos consideravelmente.

Referências:

ALTA COMISSÃO DO CANADÁ NA NIGÉRIA. Nigéria – falando contra o casamento infantil. Disponível em: <http://www.canadainternational.gc.ca/nigeria/eyes_abroad-coupdoeil/ea_nigeria_cefm.aspx?lang=eng >. Acesso em: 18 ago. 2018

GIRLS NOT BRIDE. Child marriage around the world: nigeria. Disponível em: <https://www.girlsnotbrides.org/child-marriage/nigeria/&gt;. Acesso em: 18 ago. 2018.

MOREBRANCHES. A problem in nigeria/africa : child marriages.. Disponível em: <https://medium.com/morebranches-com/a-problem-in-nigeria-africa-early-child-marriages-8d7d6e06082b&gt;. Acesso em: 18 ago. 2018.

NAIJI.COM. Casamento prematuro na nigéria: causas e efeito . Disponível em: <https://www.naija.ng/1152758-early-child-marriage-nigeria-effect.html#1152758 >. Acesso em: 18 ago. 2018

THIS DAY. Unicef: nigéria tem o maior número de noivas infantis do mundo . Disponível em: <https://www.thisdaylive.com/index.php/2016/12/01/unicef-nigeria-has-worlds-highest-number-ofchild-brides/ >. Acesso em: 18 ago. 2018

 

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